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Tendências do mercado jurídico para 2026: decisões de gestão que moldam a sustentabilidade dos escritórios

O mercado jurídico chega a 2026 em um estágio de maturidade que amplia as possibilidades de decisão e exige maior intencionalidade na gestão. Escritórios de advocacia, de todos os portes, passam a operar em um ambiente que valoriza eficiência, previsibilidade, sofisticação técnica e coerência institucional como elementos centrais de competitividade.

Quando se analisa a gestão de escritórios de advocacia, torna-se claro que as tendências do mercado atuam de forma integrada e estruturante. Elas influenciam a organização societária, os modelos de carreira, a dinâmica operacional, a relação com clientes e o posicionamento estratégico. Compreendê-las permite decisões mais conscientes e alinhadas à sustentabilidade do negócio no médio e longo prazo.

1. Integração estrutural de tecnologia ao core jurídico

A tecnologia passa a integrar de forma orgânica o núcleo da operação jurídica, ampliando a capacidade dos escritórios de organizar fluxos, ganhar eficiência e aumentar a previsibilidade das entregas. O diferencial competitivo está na integração consistente dessas soluções aos processos de trabalho, com governança clara, critérios de uso e supervisão humana.

Estruturas que partem de um redesenho operacional conseguem capturar ganhos relevantes de padronização, controle e eficiência, preservando a qualidade técnica e a segurança jurídica. Nesse contexto, a tecnologia atua como elemento de sustentação da estratégia, e não como iniciativa isolada.

O fator decisivo está na maturidade da gestão que orienta sua adoção e na clareza sobre os objetivos que se pretende alcançar.

2. Transformação do perfil do advogado

O advogado de 2026 assume um papel progressivamente mais estratégico, com maior participação na análise de cenários, na leitura de contexto e na construção de soluções alinhadas aos objetivos do cliente. Competências como visão de negócios, comunicação clara e capacidade analítica passam a coexistir com a excelência técnica.

Essa transformação impulsiona a revisão dos modelos de carreira. Escritórios que estruturam critérios claros de desenvolvimento e progressão conseguem formar lideranças mais preparadas e equipes mais engajadas. A definição objetiva das competências esperadas em cada etapa da trajetória profissional contribui para alinhamento cultural e maior previsibilidade na gestão de pessoas.

O movimento fortalece equipes tecnicamente consistentes e estrategicamente conectadas ao negócio do escritório.

3. Legal Operations como função estratégica

Legal Operations consolida-se como eixo central da tomada de decisão na gestão jurídica. Controle de custos, definição de indicadores, previsibilidade orçamentária e padronização de processos passam a sustentar escolhas mais conscientes e alinhadas aos objetivos do escritório.

Quando se observa a performance de estruturas mais organizadas, é comum encontrar mecanismos claros de acompanhamento de resultados e de apoio à decisão. Essa lógica não engessa a prática jurídica, mas cria uma base objetiva que reduz improviso e amplia a capacidade de planejamento.

A presença dessa função fortalece o crescimento estruturado e aumenta a visibilidade sobre desempenho, margens e eficiência operacional.

4. Pressão regulatória e gestão permanente de riscos

O avanço regulatório em temas como privacidade, proteção de dados, compliance e atuação multijurisdicional amplia o campo de atuação estratégica dos escritórios. A gestão de riscos passa a ser elemento relevante não apenas do ponto de vista técnico, mas também institucional e reputacional.

Escritórios que incorporam essa agenda de forma contínua conseguem atuar de maneira preventiva, fortalecendo a confiança do mercado e a relação com clientes. A integração entre estratégia, governança e atualização regulatória amplia a capacidade de antecipação e reduz exposição a contingências.

A organização interna e a leitura prospectiva do ambiente regulatório tornam-se ativos relevantes da gestão jurídica.

5. Legal Tech e litigation support avançado

O avanço das tecnologias aplicadas ao contencioso consolida um novo patamar de organização, análise e tomada de decisão em litígios complexos. O uso de analytics, plataformas de e-discovery, automação de provas digitais e ferramentas de suporte à decisão amplia a capacidade dos escritórios de lidar com grandes volumes de informação de forma estruturada e estratégica.

Essas soluções permitem maior previsibilidade na condução dos processos, melhor avaliação de riscos e apoio mais qualificado à definição de estratégias processuais. Ao integrar tecnologia especializada ao contencioso, os escritórios fortalecem sua capacidade analítica e reduzem a dependência de abordagens excessivamente intuitivas ou fragmentadas.

Na prática, essa tendência impulsiona maior integração entre áreas, investimento em estruturas de apoio ao litígio e revisão dos fluxos de trabalho, posicionando o contencioso como uma frente cada vez mais orientada por dados, inteligência e consistência decisória.

6. Consolidação, alianças e expansão internacional

Movimentos de fusão, aquisição e alianças estratégicas refletem a busca por escala, especialização e ampliação de capacidades. Quando conduzidos com método e análise estrutural, esses processos permitem ganho de eficiência, fortalecimento institucional e ampliação do portfólio de atuação.

Os principais pontos de atenção concentram-se na convergência de culturas, modelos de gestão e expectativas societárias. Estruturas que tratam esses aspectos de forma planejada conseguem preservar identidade, estabilidade operacional e alinhamento estratégico.

A consolidação bem conduzida se apresenta como instrumento de crescimento sustentável e posicionamento de longo prazo.

7. Foco em eficiência, previsibilidade e valor ao cliente

As expectativas dos clientes jurídicos evoluem no sentido de maior transparência, previsibilidade de custos e clareza na entrega de valor. Esses elementos passam a integrar de forma explícita a relação entre escritórios e clientes.

Esse movimento estimula a revisão de modelos de precificação, o aprimoramento da comunicação e o alinhamento interno sobre o que efetivamente gera valor. Escritórios que enfrentam esse debate de forma estruturada fortalecem relacionamentos e ampliam sua competitividade.

A eficiência deixa de ser apenas uma preocupação interna e passa a compor a proposta de valor do escritório de forma clara e consistente.

Conclusão

As tendências do mercado jurídico para 2026 indicam um movimento claro de amadurecimento da gestão dos escritórios de advocacia. Mais do que responder a mudanças pontuais, o desafio está em compreender como tecnologia, pessoas, operação, governança e relação com clientes se conectam e moldam a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Na BÓREA, a análise dessas transformações reforça que decisões estruturais, quando tomadas com método, visão de negócio e coerência institucional, ampliam a capacidade dos escritórios de crescer com previsibilidade, preservar sua identidade e fortalecer sua posição no mercado. Em um ambiente cada vez mais exigente, a gestão deixa de ser um tema acessório e se consolida como eixo central da estratégia jurídica.